O CV da FASPEBI        Os Sucessos da FASPEBI         A História da Guiné-Bissau


A HISTÓRIA DA FASPEBI

Esta Fundação surge na sequência de um trabalho desenvolvido, desde há cerca de 20 anos e iniciado por Luigi Scantamburlo, no apoio a um grupo de pescadores e de estudantes, que foram criando infraestruturas em Bubaque e nas ilhas para ajudar as populações locais a fazer face aos desafios do desenvolvimento surgidos depois da independência. A FASPEBI é assim uma fundação local que nasceu da tomada de consciência destes problemas e da tentativa de encontrar possíveis soluções duráveis e sustentadas.

As maiorias dos co-fundadores da FASPEBI são trabalhadores e alunos com experiência de trabalho e de contactos com a população Bijagó. Esta experiência duradoura de trabalho no “terreno”, de contacto íntimo com as comunidades locais, é enriquecida pelo facto do responsável da FASPEBI, o Padre Luigi Scantamburlo, ter como formações académicas (além da teologia) uma licenciatura em antropologia e um mestrado em linguística, tendo desenvolvido um amplo trabalho de investigação sobre a cultura dos Bijagós (com vários artigos e um livro publicados) e estudos sobre a língua crioula, estando a terminar um dicionário de crioulo/português.

Pode ler-se nos Estatutos legais desta Fundação: “Artigo 3º: A FASPEBI tem como objectivo principal a promoção para o apoio do desenvolvimento dos povos do Arquipélago dos Bijagós, contribuindo não só para a elevação do seu nível económico, mas também social, cultural e moral, utilizando todos os meios legais pertinentes”. Os seus principais domínios de intervenção são:

- Apoio à Associação de Pescadores Bijagós (ASPEBI) ajudando os sócios a diversificar as suas áreas de actuação anteriormente limitadas à pesca. Assim, hoje, a carpintaria fabrica carteiras para as escolas e a oficina mecânica tece redes metálicas de vedação para as hortas, enquanto a FASPEBI faz a gestão da construção e reparação das escolas nas ilhas.

- Desenvolvimento e promoção de iniciativas de carácter cultural, como seja, trabalho de investigação com vista ao estabelecimento de um Escrita da língua Bijagó e da língua Crioula; a criação de um museu de arte Bijagó; o apoio a alguns escultores com a construção de salas apropriadas para o trabalho e a aprendizagem desta arte.

- Apoio a algumas escolas primárias, dependentes do Ministério da Educação, através da construção e reparação de edifícios, subsídios aos professores e ajuda alimentar aos alunos da Ilha de Canhabaque durante o período do “pabi” (preparação do campo de arroz).

- Apoio às iniciativas que introduzem novas tecnologias necessárias à sociedade Bijagó, como as necessárias para a recuperação dos terrenos para o cultivo de arroz de “bolanha” e para a fabricação manual de redes.

O apoio ao ensino básico surge como indispensável em todo este processo. É unanimemente reconhecido que a aquisição de conhecimentos elementares de escrita e cálculo são o factor principal que leva à redução da pobreza e a uma maior participação dos indivíduos na vida económica, política e cultural das sociedades nas quais estão inseridos. Desde aí que a FASPEBI é um dos parceiros tradicionais do Ministério da Educação Nacional e da Direcção Regional da Educação na Região de Bolama-Bijagós, tendo mesmo construído escolas em Canhabaque, Orangozinho e Bubaque, antes da sua legalização oficial em 1995.

Os membros da Fundação, na sua maioria naturais ou residentes há muito tempo no arquipélago, iniciaram o seu trabalho desenvolvendo um apoio pontual a escolas do ensino básico das ilhas. As dificuldades crescentes que foram sentindo, acrescidas de pedidos concretos de apoio às escolas por alguns elementos da população, professores e sobretudo crianças e jovens, levaram a FASPEBI a elaborar um projecto que foi apresentado e financiado pela EU (em parceria com o CIDAC) em 1998. O objectivo principal desse projecto foi ensinar aos alunos a ler e escrever por meio de uma língua que eles conhecem (o Crioulo Guineense) e somente, num segundo tempo, quando os alunos sabem ler e escrever na língua materna, ou numa segunda língua que eles dominam, lhes é ensinada a língua oficial da Guiné-Bissau, o Português, que é considerada didacticamente e pedagogicamente como língua segunda e não como língua materna.

Em Janeiro de 1998, no quadro do Projecto Projecto de Apoio ao Ensino Básico no Arquipélago dos Bijagós, a Faspebi organizou uma Mesa Redonda com a participação de mais de 70 convidados em Bubaque, com o Tema “O Ensino Básico e o Desenvolvimento no Arquipélago de Bijagós”. Entre os convidados havia o Ministro da Educação, Dr.a Odette Semede, o Director do Ensino Básico, Dr. Carlos Cardoso, e outros representantes de ONG e escolas presentes no Arquipelago de Bijagós. Foram debatidos vários problemas. Uma das recomendações mais importantes foi de continuar o antigo projecto de Ensino Bilingue do CEEF, que tinha sido activo entre os anos 1987 e 1992. Os resultados positivos dessa iniciativa, ensinar a ler e escrever em Crioulo e depois passar ao Ensino do Português, encorajaram a continuação dessa iniciativa.

Em Julho de 2004, o projecto acabará a primeira fase (classes 1ª-3ª), para continuar com a segunda fase (classes 4ª-6ª) nos próximos três anos escolares (2004-2007). Até agora o programa de ensino bilingue tem abrangido nove escolas (cinco na Ilha de Bubaque, duas em Orangozinho e duas em Canhabaque), com um total de 1000 alunos e 26 professores. Para o próximo ano haverá um acréscimo normal de outras nove primeiras classes com um aumento de 250 alunos e de nove professores.

Para a primeira e segunda classe foram adoptados os manuais (depois de melhorados) em Crioulo Guineense desenvolvidos pelo CEEF do INDE (anos 1986-1993). Para o ensino do Português foram preparados novos manuais para a 2ª-3ª classe (oralidade de Português para a 2ª classe e manual em Português para a 3ª classe). Está a ser preparado o manual em Português para a 4ª classe por uma equipa da Universidade Nova de Lisboa (a mesma que tem preparado o manual da 3ª classe).

Na segunda fase do projecto, o FASPEBI juntamente com a INDE irão assegurar a gestão pedagógica e o ISU irá apoiar pontualmente na Formação de Professores.

 
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